São muitas as notícias da semana que mostram como, cada vez mais, observamos comportamentos precoces nas meninas. A capa do Globinho, caderno voltado ao público infantil do Jornal O Globo, diz que decorar as mãos com desenho é passatempo preferido das meninas atualmente. Mas, será que fazer as unhas tão perfeitas é só brincadeira? O portal iG divulgou notícia de uma menina de 8 anos que faz botox para não ter rugas na idade adulta. O Estado de S.Paulo mostra reportagem sobre festas de garotas de 6 anos dentro de limusines e de salões de beleza, como já comentado em post anterior. O Portal Modaspot, da Editora Abril, discute sobre moda de luxo para crianças. A grife de moda Abercrombie, adorada pelas tweens, lança sutiã com enchimento para meninas de 7 anos. Os exemplos de exagero são muitos e, de alguma forma, todos tocam no mesmo ponto: a adultização infantil.

Mas, qual menina nunca calçou os saltos altos da mãe ou pintou as unhas de brincadeira? A maioria talvez já tenha passado por essas experiências, mas o fato hoje é que o universo adulto tem invadido o mundo infantil e não somente em brincadeiras de faz de conta, super saudáveis e importantes para o exercício de comportamentos adultos. O problema é quando o salto alto entra no armário das meninas e são produzidos em tamanho abaixo do 35 ou quando elas não querem fazer natação, conforme relato de diretores de escola, para não borrar a maquiagem ou estragar a chapinha dos cabelos.

Aí temos uma questão. As crianças citadas em todas as matérias acima têm deixado de aproveitar uma fase imprescindível para seu desenvolvimento para se preocupar ou desejar coisas que não deveriam fazer parte de seu universo. E um dos problemas decorrentes de situações como essas é o consumismo na infância e uma inversão de valores que faz com que crianças cresçam não só antes do tempo, mas acreditando que é preciso ter para ser. Criança precisa de muito pouco para se feliz. Fica a reflexão!

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  1. Alessandra Faria
    Alessandra Faria em Sexta-feira 01 Abril 2011 17:59
    Não é fácil alcançar esse equilíbrio, sou mãe de uma pequena de 5 anos. Mas cabe a nós, mães, sermos firmes ao conduzir esse processo. Elas querem mesmo a sandália infantil cor de rosa mas de salto alto, é só não comprar e explicar o porquê.....
  2. Jobis
    Jobis em Domingo 03 Abril 2011 13:39
    Uma coisa no documentário "criança, a alma do negócio" chamou minha atenção: a afirmação de que a gente conversa menos com os filhos que a tv e a publicidade. Então, talvez elas realmente acreditem que aquilo tudo seja importante por um mecanismo de substituição.
    O fato é que, como mãe, estou aprendendo uma coisa muito triste: é mais fácil dar coisas aos filhos que se dar, e então, você pode se iludir de que o primeiro substitui o segundo... Quando não substitui...
    Eu posso ser obrigada, pela vida, a engolir meus argumentos, mas hoje, tento criar em casa um clima agradável, que faça com que eles se sintam feliz por estarem inseridos naquele contexto... E digo, desde pequenos, a ponto de mal poderem falar, das coisas que realmente importam. Antes que o mundo tenha tempo de os doutrinar, eu estou chegando na frente, com suco natural feito a 8 mãos, com "tarde do errado" terminando com "todo mundo limpa junto".

    O meu grande desejo, no momento, é que meus filhos sejam crianças. É que minha filha seja apenas uma minininha e que meu filho seja apenas um garotinho.

    Ele já pede por coisas que não achamos legais e argumenta que fulano ou ciclano tem, mas nós dizemos que aqui é diferente. Ontem, estávamos todos deitados na cama pra dormir, contando histórias uns pros outros e cantando musiquinhas juntos, e ele disse: mamãe, será que o coleguinha tal tem isso? - aquele que tinha uma sandália de 130 reais que ele queria. E eu: não sei, amor, mas eu sei que isso é tão bom, tão bom, tão bom, que nem tem em loja.
    E aí ele disse: mamãe, a senhora tá feliz? porque eu to muito, muito feliz.

    Algumas pessoas argumentam que, ao tratá-los como eu trato estou fazendo mal, porque o mundo lá fora não é assim. Eu acredito que, justamente por o mundo lá fora ser tão diferente, eu preciso lhes mostrar que existe outra maneira de viver. Não posso esperar que a mídia lhe diga que deitar sem preça de nada com a família toda na cama vale mais que uma sandália de mais de cem reais. Eu que tenho que lhe mostrar iss.
    Eu estou fornecendo a eles um rol de experiÊncias, para que, no futuro, tenham o direito de escolha; para que eles simplesmente não sejam engolfados na corrente e acreditem que é assim que as coisas são e é assim que elas podem ser.
    De modo que, no futuro, eles até podem vir a desejar, e até mesmo obter, coisas da moda - desde que sejam razoáveis! - mas, espero, não acreditarão que a sua vida emocional depende disso...

    O mundo pode influenciar meus filhos, mas enquanto eles são tão pequenos, eu sou o filtro. Eu tenho voto e veto, porque sou a mãe deles e é esse o meu papel. Se eles não tivessem mãe, talvez fossem constrangidos a seguir com o turbilhão, mas como Deus quis que eles tivessem mãe, estou com eles nisso e não arredo o pé. O fato é que, se esses absurdos existem, é porque famílias chancelam. Criança pode pedir, espernear, escandalizar, mas quem abre a carteira é o pai ou a mãe, com pequenas variações.
  3. Mari
    Mari em Sábado 09 Abril 2011 22:24
    Lindo depoimento! Mães como essa são muito mais poderosas que qualquer campanha de televisão.
  4. Lia
    Lia em Terça-feira 19 Abril 2011 17:34
    Basta olharmos para Suri Cruise, a filha de 5 anos do Tom Cruise e da Katie Holmes para vermos o quanto uma criança está se tornando mais "adulta".
    Mas até onde isso não é influência da mãe? A criança pode muito bem incorporar os valores da própria mãe e aplicá-los em sua vida, que é o que acontece na maioria dos casos. Daí acha-se que é da natureza da criança, e constata-se que a mãe que está estimulando este tipo de comportamento.
    A Alessandra tem razão! A mãe é quem influencia.
    Gostei muito do depoimento da Jobis, e gostaria de parabenizá-la, pois é uma grande mãe. E cabe aqui um conselho: jamais deixe que os outros te digam como criar os teus filhos.

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