Há muito tempo a equipe do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, queria saber como os pais se sentem com tantos apelos comerciais bombardeando a vida de seus filhos pequenos. Em 2010, depois de fazer um levantamento cuidadoso de institutos de pesquisa que tivessem competência e seriedade para tocar um estudo sobre isso, contratamos o Datafolha para uma espécie de projeto piloto. 

Sabíamos da força da publicidade no cotidiano das famílias, até por estudos realizados em outros países, mas não tínhamos os números exatos no Brasil. Finalmente resolvemos, naquele ano, encomendar uma pesquisa pequena, apenas na cidade de São Paulo, para tentar entender um pouco dessa realidade. 

O Datafolha conduziu a pesquisa de forma muito profissional e ética, mantendo sempre o sigilo das fontes e dos processos. No fim do trabalho, fez uma apresentação detalhada da metodologia, da amostra e dos resultados para a equipe do Criança e Consumo. Na época, o dado mais impactante do levantamento foi que 76% dos pais paulistanos concordavam com algum tipo de restrição à publicidade dirigida a crianças.

Em 2011, foi a vez de darmos um passo maior em busca de dados sobre a percepção dos pais brasileiros a respeito da publicidade. Retomamos a parceria com o Datafolha para uma pesquisa em todo o território nacional sobre dois temas de extrema relevância para todos nós: publicidade dentro de escolas e publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio dirigida ao público infantil. 

Essa grande pesquisa revelou que os pais reconhecem que a publicidade tem ultrapassado limites quando o foco são crianças.



Entre os principais resultados desta pesquisa estão que 56% da população brasileira desaprova publicidade em escolas e que, para 79% dos pais, publicidade de alimentos não saudáveis prejudica hábitos alimentares das crianças.

Esses dados mostram que o tema da publicidade infantil é muito relevante para a sociedade e que a questão da regulação precisa ser debatida com seriedade pelo poder público, em busca de uma proteção maior do público infantil nas relações de consumo.

Os pais se sentem sozinhos e impotentes diante dos apelos comerciais direcionados a seus filhos. Sem dúvidas, criar regras para os anunciantes é um dos pontos fundamentais no combate ao consumismo infantil. Não se trata de isentar os pais de sua mais importante responsabilidade, que é educar os filhos. Mas sim de dar condições para que eles eduquem e conscientizem suas crianças sobre os impactos do consumo sem ter de enfrentar uma indústria milionária, cuja principal mensagem é sempre a de consumir mais.
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  1. Nara
    Nara em Quinta-feira 02 Junho 2011 12:36
    Muito bom!
  2. Vilson Vieira Junior
    Vilson Vieira Junior em Sábado 11 Junho 2011 23:01
    É preciso frear o consumismo exagerado, e essa tarefa deve começar desde cedo, nos primeiros anos de vida, a fim de construírmos uma sociedade mais saudável, solidária e ambientalmente sustentável. A publicidade infantil estimula comportamentos nocivos à criança, como a competição e o invidualismo. Sou a favor da proibição não só da publicidade direcionada às crianças, como também à publicidade de bebidas alcoólicas. Estas deveriam ser exibidas fora do horário considerado LIVRE pela Classificação Indicativa na TV.

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