Nosso protesto em frente à Mattel
Por Redação em 01 dezembro 2011 - Cidadania e Mobilização

Ontem fomos fazer um protesto em frente à sede da Mattel em São Paulo. Éramos cerca de 20 mães, pais, professionais e ativistas preocupados com o futuro da infância e determinados a fazer algo contra os dados alarmantes apontados pela pesquisa “Monitoramento de publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”, resultado de uma parceria do Instituto Alana com o Observatório de Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo.
A Mattel foi a empresa que mais anunciou para as crianças, com uma quantidade absurda de aproximadamente 8.900 anúncios veiculados nas duas semanas que antecederam o Dia das Crianças. Por isso, recebeu nossa “homenagem às avessas”, que estávamos lá na frente do prédio prontos para entregar o troféu “Vencedora do Prêmio Manipuladora – Dias das Crianças 2011”. Ninguém da empresa quis descer para nos receber e conversar. Mas fizeram um convite muito do estranho, ao determinar que só receberiam um integrante do Alana e um repórter entre os jornalistas que cobriam a ação. Proposta meio indecente, não é não?
Brincadeiras à parte, o importante dessa nossa primeira ação em frente a uma empresa é que faz com que as pessoas pensem a respeito do problema. Dos executivos que saíam ou voltavam para o prédio comercial ao policial que foi chamado para averiguar o que era o protesto, muitos têm filhos, sobrinhos, netos e uma história para contar sobre os pedidos incessantes de crianças para o consumo.
Não há dúvidas de que o consumismo infantil e seus impactos são problemas multifatoriais e extremamente complexos. Mas também estamos certos de que as empresas não estão agindo de forma ética e de que é urgente estabelecer regras para proteger as crianças dos apelos para o consumo. É preciso dar aos nossos pequenos o direito de assistir a um desenho que eles gostem sem ter que pagar a conta mais cara de todas, que é ver uma geração inteira crescer acreditando que é preciso ter para ser.
Obrigado a todos que participaram e divulgaram nossa manifestação ontem. Não deixem de acompanhar as novidades no nosso site e aqui no blog.
Veja aqui as fotos do protesto
Veja aqui o vídeo na íntegra
Links relacionados:
Em seu primeiro protesto, Alana entrega troféu de empresa manipuladora para Mattel
Instituto Alana protesta contra publicidade infantil
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Comentários
O mundo é capitalista, e quem deve arrumar a sujeira esta roubando nosso dinheiro, e não colocando propagandas para os nossos filhos na TV.
STF julga ação que pede o fim da obrigatoriedade da classificação indicativa de programas
http://tinyurl.com/7dzvyll
Viram isso?
A Constituição Federal determina que os programas de rádio e televisão respeitem os valores éticos e sociais da pessoa e da família (art. 221).
Por sua vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reza, em seu art. 17, que “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”.
O ECA também preconiza que as emissoras de radio e televisão devem exibir, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, culturais e informativas (art. 76).
Por sua vez, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu art. 37, § 2°, proíbe e considera “abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.”.
Se desrespeitar valores ambientais é proibido, muito mais grave é aniquilar os valores morais.
Feita a fundamentação legal do tema, urge registrar que a população, cada vez mais está exposta aos valores transmitidos pela mídia, e eles contrariam os valores morais necessários a um desenvolvimento saudável da criança e do adolescente.
Este público em desenvolvimento precisa estar diariamente em contato com exemplos e modelos de comportamentos que os conduzam a uma vida de responsabilidade, respeito e de cidadania.
E o que as propagandas transmitem? Elas incitam ao consumismo, priorizam o “ter” e mostram a desmoralização da família.
Exagero? Não. Basta analisar as propagandas atuais.
Nelas, mais vale uma moça bonita do que a esposa/mãe real, provedora de amor e responsabilidades. O sujeito que mente para o chefe ou para a esposa é mostrado como o “bacana”, enquanto o correto é tachado de “caxias” ou “nerd”. Algumas propagandas chegam ao absurdo de expor com naturalidade e até mesmo a instigar a traição.
As propagandas buscam associar os produtos com conceitos que valorizamos e com sentimentos que achamos agradáveis. É exatamente assim que os fornecedores nos manipulam (aqui digo em relação a todos e não só às crianças e adolescentes).
Ocorre que, para atingir este objetivo, as empresas estão deturpando os valores morais da sociedade. O resultado disso, conforme entendimento do Instituto Alana, que desenvolve o relevante “Projeto Criança e Consumo” é a obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras.
Podemos frear isso? Creio que sim, desde que a sociedade civil se organize e lute pelos seus direitos e das próximas gerações.
Segundo teóricos jurídicos, o homem do Século XX foi distinguido por um modelo novo de associativismo: a sociedade de consumo, caracterizada por um número crescente de produtos e serviços, pelo domínio do crédito e do marketing, assim como pela velocidade de suas transações.
No que toca à formação da sociedade de consumo de massa, cumpre dizer que o desenvolvimento econômico, com elevado grau de industrialização/sofisticação tecnológica e grande concentração da atividade empresarial e de capitais constitui fator relevante, responsável por mudanças significativas na qualidade de vida da maior parte das pessoas, mas que, em contrapartida, aumentou as desigualdades sociais.
Nosso cotidiano foi invadido pela tecnologia eletrônica de massa e individual, saturando com informações, diversão e serviços a experiência cotidiana.
Os grupos sociais se organizam pela forma e pela maneira que circulam na sociedade consumista, ou seja, o consumo torna-se cada dia mais personalizado: "somos o que consumimos".
Penso da mesma forma que o teorista jurídico Josué Rios: “Tudo é planificado para atingir um alvo inexorável: ‘a produção e reprodução ampliada do capital’, ou o desenvolvimento econômico, se preferir. E na base destes objetivos está: produzir-vender, produzir-vender e produzir-vender”.
Rios ainda adverte “Se essa construção observa princípios humanísticos e éticos como a não coisificação do homem, a não violação de valores ambientais (um dos direitos básicos do consumidor), a não discriminação social pelos “estilos de vida” que são criados, ou a não fomentação do desperdício e do descartável, é outra história, ou são princípios que não se põem em questão, como faria um pragmático desse tipo de sociedade”.
Já disse, em artigo anterior, que esta busca incessante pelo lucro resulta na violação de inúmeros e importantíssimos valores (inclusive morais), sendo incontestável o desprezo total das grandes empresas industriais e comerciais pelos estragos que produzem na sociedade.
As pessoas se acham forçadas pela necessidade (ou pelo simples desejo, geralmente induzido), de adquirir e usar produtos e serviços que, por indução, modismo, ou manifestação de status, assumem essencialidade no seio de uma sociedade cada vez mais competitiva, na qual tudo tem de ser rápido e fugaz, e a ostentação ou a aparência são símbolos de sucesso.
Vivemos, pois, em uma sociedade de consumo, profundamente marcada pela compulsiva aquisição de bens, e dominada por comerciantes, produtores e fornecedores, capazes dos mais insinuantes ardis com o intuito de repassar suas mercadorias.
Renomados institutos de defesa do consumidor do país (IDEC e Alana, por exemplo) buscam alertar a população sobre essa problemática, mas o “sistema” é muito mais forte e essas campanhas acabam sendo “gotas no oceano”.
Sejamos melhores consumidores, sendo menos consumistas: a nossa sobrevivência e a da nossa sociedade dependerão dessa atitude.
Seguem artigos sobre o tema. Neles, cito o Instituo Alana.
Gabriel Tomasete
Advogado, Pós-graduando em Direito do Consumidor, Colunista do Diário da Amazônia (Coluna Direito & Consumo) e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RO.
Atuou no Procon de Presidente Prudente-SP. Advoga para ONG de defesa de consumidores desde 2004, em Porto Velho-RO.
www.twitter.com/gabrieltomasete
E-mail: gtomasete@gmail.com
Encaminhei o meu pré-projeto para o e-mail da Roberta Nardi.
Lembrando que eu sou a jornalista que está realizando uma pesquisa sobre o blog CONSUMISMO E INFÂNCIA como produto final da especialização (MBA Jornalismo Digital).
Aguardo o próximo contato.
Obrigada.
Não aceitar a mercantilização da infância é fundamental para a sociedade encontre um caminho melhor.
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