Anúncios apelativos, que pretendem atribuir um toque cool a crianças por meio de campanhas que apresentam a confusa imagem de uma mini-mulher não são um “privilégio” brasileiro. 

Na Europa, a polêmica foi acesa por um editorial publicado na Vogue Paris, no qual meninas de 8 anos anos  são retratadas como pequenas caricaturas de sedutoras mulheres em vestidos assinados por grandes estilistas. O editorial foi considerado inapropriado e “um prato cheio para pedófilos” (como ironiza o ilustrador Alexander Palomo em seu blog).

É fácil notar que o grande desafio das griffes de luxo é crescer sem “vulgarizar” a marca. É vender mais, porém, mantendo a exclusividade do produto. Uma boa saída para essa complicada equação é estimular crianças “bem nascidas” a consumir seus produtos, que são grosseiramente adaptados, e definitivamente não condizentes com as faixas etárias daqueles a quem os oferecem.

As conseqüências da postura leviana de anunciar para essas meninas? Desde cedo, pequenas moças são doutrinadas, para que cresçam sabendo como um cenário sofisticado ou uma roupa sensual de um estilista renomado é fundamental para a expressão de sua identidade e aceitação social.
Para as empresas é a solução perfeita. Elas não despendem energia pensando produtos que atendam as necessidades claramente diferenciadas desse tipo de público. Vendem cópias dos produtos que já dispõem em tamanhos reduzidos. Aumentam as vendas e fidelizam clientes para a vida toda.

As crianças impactadas? Bem, aquelas que podem adquirir os produtos têm o prejuízo de sentir que precisam adquirir bens para serem felizes e adequadas. São convencidas de que ter determinado produto é mais importante do que ser alguém. As possibilidades, as experiências, a construção da identidade  tornam-se produtos, consumidos dentro dos limites prescritos pelos editoriais e peças publicitárias.

Aquelas que não podem adquirir esses produtos? Bem, elas imitam os comportamentos propostos como corretos e aceitáveis da mesma forma, sentindo o peso da exclusão, diante da impossibilidade do consumo. Criam saídas mais democráticas, adquirindo peças genéricas que se assemelhem às anunciadas ou, podem até chegar a buscar caminhos “alternativos” de acesso a esses produtos.

Um tapa na auto-estima das futuras mulheres ao redor de todo o mundo?

Sem dúvida alguma.

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  1. Gabi/ Redação
    Gabi/ Redação em Sexta-feira 04 Fevereiro 2011 15:02
    Interessante ver que esse conteúdo já não está sendo bem visto pelo público em geral e que esse, em especial, teve uma péssima repercussão na Europa. Neste caso da Vogue Paris, por exemplo, a Carine Roitfeld, editora da revista há anos, foi despedida do cargo e um dos motivos foi exatamente esse editorial. Segundo a revista Veja da semana passada, alguns anunciantes repudiaram a ação e a LVMH, dona de marcas como Moet & Chandon e Louis Vuitton e uma das maiores anunciantes da revista, chegou até a ameaçar retirar toda a sua publicidade! Nos conforta saber que até os anunciantes se posicionaram contra a ação, afinal todos temos responsabilidade na luta pelos direitos das crianças. Tomara que os anunciantes, o mercado e a sociedade aqui no Brasil também entendam a gravidade desse tipo de publicidade.

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