Uma pesquisa recente, realizada em Quebec, no Canadá, analisou os efeitos da proibição de publicidades dirigidas a crianças no consumo de junk food.  O estudo levantou os gastos familiares das últimas décadas, já que a publicidade infantil foi proibida lá na década de 80, e relata que a ação reduziu o consumo de fast food em 88 milhões de dólares – uma redução que significa mais de 40 mil refeições desse tipo de alimento compradas a menos por semana.  O resultado é a diminuição do consumo de entre 5.6 bilhões e 7.8 bilhões de calorias por ano.

Isso nos faz pensar sobre os possíveis efeitos de uma restrição desse tipo no Brasil, já que os índices de obesidade infantil só aumentam no país. Números divulgados em janeiro pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia revelaram grande aumento do percentual de crianças com sobrepeso e obesidade no Brasil, principalmente na faixa de 5 a 9 anos.  Para essa faixa etária, o percentual de crianças com sobrepeso passou de 15% (meninos) e 11,9% (meninas) em 1989 para 34,8% (meninos) e 32% (meninas) em 2010 – números que só vão aumentar sem políticas sérias que atuem na questão. O índice de obesidade também assusta: 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas em 2010, segundo o IBGE.

Outros países também estão pensando em como lidar com o problema. O Peru, por exemplo, discute agora medidas para diminuir o consumo de junk food. O país está considerando a possibilidade de fixar um imposto a comidas não saudáveis, junto com outras iniciativas de promoção de hábitos saudáveis. No Peru, segundo o Ministério da Saúde, um de cada dez crianças com menos de cinco anos está com sobrepeso e uma está obesa.

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