A pesquisa Kids Experts, divulgada em setembro, mostrou alguns dados sobre a presença das crianças na web: 88% das crianças entre 6 e 11 anos participam de alguma rede social e navegam na internet uma média de duas a três vezes por semana, permanecendo conectadas duas horas. No entanto, especialistas alertam para os perigos e para o limite da exposição das crianças à internet, que quanto menor sua idade, menor deve ser o tempo online.

A presença infantil nas redes levanta questões quanto ao conteúdo publicitário a que são expostas, sem que possuam uma reflexão crítica. A discussão é ampla e passa pela responsabilidade ética das empresas anunciantes. Recentemente, por exemplo, no Reino Unido, a empresa Diageo, fabricante de bebidas alcoólicas como Smirnoff Ice e Baileys, foi acusada de focar no público infantil ao fechar um acordo multimilionário para publicar seus anúncios no Facebook, sem poder garantir que eles não seriam vistos por pessoas menores de 18 anos.

Uma matéria do USA Today também abordou as novas táticas mercadológicas dirigidas a crianças na internet: um site de brinquedos obriga as crianças a assistirem vídeos publicitários em troca de moedas para decorar os quartos virtuais dos seus bonecos, enquanto o McDonald’s pede às crianças para divulgarem nas redes sociais fotos com o Ronald McDonald para seus amigos, tornando-se, elas próprias divulgadoras da marca.

A Kids Experts ressaltou que  24% das crianças usam as redes sociais para dar opinião sobre produtos ou marcas. “As marcas também são usadas como estratégias para aumento de popularidade. Até quando comenta sobre uma marca ou produto que comprou, a criança ou o jovem está querendo ser ouvido pelos amigos  reconhecido por ser antenado, por ser o primeiro a ter algo diferente ou por mostrar sua opinião aos demais”, ressalta matéria do Meio & Mensagem, estabelecendo-se uma perigosa relação em que o “ter” se sobrepõe ao “ser” e em que a criança é definida pelas marcas e produtos que possui. Será que são esses os valores que queremos transmitir para as novas gerações?

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