A má qualidade da alimentação é uma das principais causas da obesidade. Quando unida à falta de atividades físicas, o resultado é uma verdadeira bomba – e gera os assustadores índices do problema. No Dia Mundial da Saúde, comemorado 7 de abril, chama atenção o dado de que a doença já atinge 15% da população infantil brasileira. Nesse quadro, a informação se torna uma das bases para que as pessoas consigam se alimentar melhor.

No entanto, até mesmo quem se preocupa com as informações nutricionais dos produtos que compra não consegue desvendar os códigos presentes nos rótulos. Problemas como porções não uniformizadas e dados incongruentes fazem com que o consumidor não consiga avaliar adequadamente o que está comprando. Além disso, apesar de contar as quantidades dos nutrientes, o rótulo atual exige um conhecimento em nutrição do leitor, para que ele avalie se a quantidade presente no produto está de acordo com o recomendado. Um exemplo é a tabela nutricional dos ovos de páscoa, que trazem dados só para uma parte do produto, como um quinto ou décimo do ovo, obrigando o consumidor a calcular a porção para saber as calorias consumidas.

Algumas práticas tentam mudar isso. Segundo reportagem da revista Época, um novo sistema, chamado NuVal e desenvolvido por pesquisadores de Yale, dá uma nota única para cada alimento. O invento facilita a análise do consumidor, que só precisa ver o número que está ao lado do preço na prateleira. As notas vão de 1 a 100. Os produtos com nota baixa são os menos nutritivos – refrigerantes (nota 1), bolachas tipo cracker (2) e chocolate ao leite (3) – e os com pontuação alta são os mais saudáveis – brócolis e mirtilo (100). O sistema já está mais de mil supermercados como clientes nos EUA.

Outro sistema, o Traffic Light Labelling, também já foi adotado por alguns países, como o Reino Unido, com resultados positivos. O sistema consiste em acrescentar nas embalagens dos alimentos as cores verde, amarelo e vermelho para sinalizar a concentração de gorduras, gorduras saturadas, açúcares e sódio. Para Giovana Longo-Silva, especialista em nutrição que conduziu um estudo sobre o tema, esse tipo de prática encontra entraves em sua aplicação, já que alimentos industrializados que recebem notas baixas não querem ter essa realidade mostrada ao consumidor final.

O entrave da indústria frente a políticas que disponibilizam a informação ao consumidor ficou claro com a publicação da R24 da Anvisa, em 2010. A resolução, que, entre outras coisas, prevê alertas sobre o consumo excessivo de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sal nas publicidades de tais produtos, está atualmente suspensa para as empresas associadas à ABIA, devido a liminar pedida pela Associação. Como diversas indústrias de alimento de grande porte, como Nestlé e Unilever, são associadas à entidade, resta ver como a medida será implantada e sua eficácia.

Para quem se interessa em debater o tema, amanhã será realizada uma palestra sobre políticas de saúde pública. O ministro da saúde, Alexandre Padilha, vai abordar o assunto, em visita a Faculdade de Saúde Pública da USP, dia 8 de abril, às 9h. O evento, aberto ao público, faz parte das comemorações do Dia Mundial da Saúde.

Compartilhe :   
  1. Leticia
    Leticia em Quinta-feira 07 Abril 2011 21:27
    Acho importante existirem políticas para melhor informação nos rótulos, mas sinceramente, não há muito mistério não: produtos in natura e insumos integrais são os melhores, e ponto final. Na minha radical opnião, supermercado está ai só para atrapalhar a nutrição da população, pois vende produtos feitos para ganhar dinheiro. Se a familia opta por consumir frutas, verduras e legumes, cozinhar seu alimento, procurar alimentos organicos, ela não precisará de tais informações nos rótulos... questão cultural mesmo, que está sendo abafada pela industria do consumo. Uma lástima.

Comentários encerrados.