O Conar divulgou essa semana seu novo parecer sobre o caso da campanha McLanche Feliz Rio. O caso havia sido reaberto após o Conar divulgar um primeiro parecer, extremamente ofensivo contra o Instituto Alana, em que o órgão chamava o Instituto de “bruxa” e minimizava o problema da obesidade infantil. Depois de muita comoção e repercussão na sociedade e na imprensa, o Conar reabriu a denúncia do Criança e Consumo para divulgar ontem – meses após a publicidade e o filme “Rio” terem saído do ar – que o caso foi arquivado por unanimidade.

Segundo nota publicada na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo de hoje, o motivo para o arquivamento é que, por ter sido exibido antes do filme, o anúncio não misturava seu conteúdo com o do longa, não havendo possibilidade de confusão entre propaganda e filme. Infelizmente, a realidade da campanha não é essa. Ela mistura a realidade com a ficção, colocando as crianças voando junto com o Blu, personagem principal do filme, no cenário onde a animação acontece, uma praia carioca.

Para um adulto, pode até ser fácil perceber que aquilo se trata de uma publicidade, com a intenção de vender lanches de fast food. Agora o público do filme, e da publicidade, não era exatamente de adultos, e, para as crianças de até 12 anos, esse conteúdo não é tão facilmente diferenciado, principalmente ao misturar as falas dos personagens do trailer e do filme “Rio”. Tanto a arara Blu quanto o cachorro Luiz aparecem no anúncio do McDonald’s fazendo gracinhas para o público.

Para o Projeto Criança e Consumo a ação é abusiva segundo o Código de Defesa do Consumidor e o próprio código de ética do McDonald´s, que diz que a empresa não poderia direcionar publicidade para crianças na idade pré-escolar ou menores de 6 anos, o que não ocorreu já que crianças de diversas idades foram impactadas pela campanha.

Veja abaixo o anúncio do McLanche Feliz Rio exibido nos cinemas e deixe sua opinião:


Abaixo, as notinhas publicadas na Mônica Bergamo:

DOIS A ZERO
O Conar, órgão que regula a publicidade, confirmou o arquivamento da denúncia do Instituto Alana contra um comercial que o McDonalds exibia antes das sessões do filme "Rio". O caso havia sido reaberto pelo próprio conselho depois que o relator chamava a ONG de "bruxa que odeia criancinhas". O Alana rompeu com o Conar.

FIM DE JOGO
O arquivamento foi confirmado por unanimidade, com o argumento de que o anúncio, por ter sido exibido antes do filme, não misturava seu conteúdo com o do longa. Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Alana, discorda: "Se a criança sai do cinema e vê o McDonalds, o que ela vai pedir? É uma pena que o Conar tenha arquivado, perdendo a oportunidade de questionar".

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  1. Vilson Vieira Junior
    Vilson Vieira Junior em Sábado 10 Setembro 2011 20:05
    Que a publicidade não se mistura ao conteúdo do filme, é até aceitável. Mas o que fizeram é muito pior. O McDonald's misturou os personagens do filme com a publicidade. Em outras palavras, fez dos personagens iscas, ou melhor, brinquedos, com o único de fazer com que as crianças comprem no fast food. Quanto à decisão do CONAR, já era esperado. Afinal, as decisões do CONAR só confirmam o que todo o Brasil já sabe: precisamos urgentemente de um órgão regulador independente e com controle social!

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