Segundo nota publicada nessa semana no Meio&Mensagem Online, o Conar diminuiu o ritmo de julgamentos em 2011: foram 366 contra 402 avaliados em 2010. O desempenho é o mais baixo dos últimos cinco anos.

E engana-se quem pensa que as polêmicas em torno da publicidade arrefeceram também. Pelo contrário. O debate sobre ética e responsabilidade na área só cresce, o que também contribui para que a sociedade fique cada vez mais atenta a essa questão.

Embora tenha esbravejado por aí sobre a “eficiência da autorregulamentação publicitária”, o Conar não tem respondido aos questionamentos dos cidadãos brasileiros de forma adequada. Além de demorar demasiadamente para julgar casos de publicidades que não chegam a ficar um mês no ar e provocam grande impacto, o Conselho tem se mostrado avesso a discutir limites para a atividade.

Prova disso é que das três grandes polêmicas em torno de publicidades ao longo de 2011 – Gisele Bündchen nos comerciais de Hope, dos Pôneis Malditos da Nissan e das Mulheres Evoluídas de Bombril, citadas pelo Meio&Mensagem – TODAS foram  arquivadas, apesar de terem rendido bastante assunto na imprensa.

No que diz respeito à publicidade dirigida a crianças, o quadro foi ainda pior. Basta lembrar o episódio do parecer de um dos conselheiros do Conar sobre uma denúncia do Instituto Alana contra publicidade do McDonald’s. Apesar de o Alana ter pedido julgamento urgente por meio de liminar, o Conselho demorou mais de um mês para dar a primeira resposta, dizendo que submeteria o caso a uma de suas câmaras.

Nesse meio tempo, a campanha já tinha saído do ar... E, quando veio o julgamento, estava ali a sua completa falta de compromisso com a ética, estampada em agressões ao Alana que ignoraram por completo a gravidade de se estimular, por meio de publicidade, o consumo desenfreado de alimentos não-saudáveis em crianças.

Leia mais a respeito:

Deixamos de reconhecer o Conar como organização legítima para julgar ética na publicidade


Nosso apoio aos movimentos feministas no caso Hope


Artigo  sobre a ineficiência da autorregulamentação no Brasil

 

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