O congresso da Consumers International, entidade que articula ações de órgãos de defesa do consumidor de diferentes nações do mundo, reuniu na semana passada, em Hong Kong, autoridades e especialistas para debater temas ligados a defesa do consumidor e a responsabilidade dos governos e do setor privado. 

Entre os temas debatidos, um dos destaques foi o direito do consumidor ligado a questões alimentícias, que contou com mesas sobre o marketing de alimentos não saudáveis dirigido a crianças e sobre alimentos saudáveis e nutritivos.  O mexicano Alejandro Calvillo, diretor da instituição El Poder Del Consumidor, participou da mesa sobre alimentos saudáveis, onde deixou clara a sua crença na “incompetência do governo mexicano na luta contra a obesidade infantil”.

Para Calvillo, a falta de políticas para enfrentar a epidemia de obesidade, junto com o fracasso da proibição da venda de comidas não saudáveis em escolas, a falta de aplicação das recomendações da OMS que pedia que governos atuassem protegendo crianças da publicidade direcionada a eles e a ausência de campanhas de educação alimentar e de rótulos que informem o consumidor de maneira clara são algumas das principais omissões do governo mexicano. “O governo privilegia interesses particulares sobre a saúde infantil”, disse, “não é a toa que ocupamos a primeira posição mundial nos índices de obesidade”. 

O consumo sustentável também foi abordado pelo congresso, e contou com a participação de especialistas brasileiros. A coordenadora do IDEC, Lisa Gunn, esteve presente no debate “Todos os caminhos levam a Rio+20?”, onde falou sobre a importância do desenvolvimento de alternativas acessíveis para mudar os hábitos dos consumidores. “Muito se fala do papel dos consumidores para mudar as coisas, mas existem opções sustentáveis acessíveis para todos os consumidores?”, disse, realçando o papel das instituições privadas:  “não podemos esquecer que existe uma responsabilidade compartilhada entre os consumidores, as empresas e os governos”.

Já Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, participou da mesa sobre consumo sustentável, e exaltou a importância do poder do consumidor, que precisa ser articulado de forma coletiva. Helio apresentou alguns dados: hoje, o consumo total do mundo demanda 50% mais do que o planeta consegue renovar. No entanto, o palestrante vê motivos para o otimismo: “os consumidores estão começando a perceber que felicidade e consumo não andam juntos”, disse, ressaltando a importância de educar as crianças e jovens para o consumo consciente.

A cobertura completa do congresso está disponível nos blogs da CI, em inglês e em espanhol.

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  1. Marina
    Marina em Quarta-feira 11 Maio 2011 20:47
    Olá! Estou começando um projeto de ficar bum ano sem comprar e andei pesquisando todo tipo de site abordaqndo compra colaborativa, consumo consciente, consumismo infantil, frugalidade, entre outros assuntos semelhantes. Adorei o seu material, realmente está de parabéns. Já indiquei para uma colega psicóloga que trabalha com crianças! Tudo de bom!

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