Em artigo publicado no British Medical Journal, pesquisadores britânicos da Universidade de Oxford defendem a aplicação de altas taxas de imposto a alimentos que fazem mal a saúde, como forma de promover a redução forçada no consumo desses produtos. Alguns países da Europa já criaram impostos com esse fim: na Dinamarca, por exemplo, alimentos com muita gordura saturada foram alvo dessas taxas, enquanto na Hungria, produtos com alta quantidade de açúcar e sal também tiveram aumento de impostos.


Pesquisas mostram que essa seria uma forma eficaz de diminuir o consumo desses alimentos. Um estudo piloto em uma cantina escolar na Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que ao aumentar o imposto de bebidas ricas em açúcar em 35%, com o preço crescendo em US$ 0,45, houve uma diminuição de 26% nas vendas do produto. Estima-se que no país, um aumento de 20% no imposto das bebidas açucaradas poderia diminuir em 3,5% os casos de obesidade. Já no Reino Unido, projeções mostram que o aumento de 17,5% no imposto de alimentos não saudáveis acarretaria na diminuição de 2,7 mil mortes por doença cardíaca por ano.


No entanto, para a especialista internacional em políticas de alimentação e saúde pública, Corinna Hawkes,  o aumento do imposto de alimentos não saudáveis não é a solução do problema. Opinião compartilhada pela advogada do Instituto Alana, Ekaterine Karageorgiadis. Segundo Hawkes, os consumidores podem migrar para gorduras mais baratas e que deve-se apostar na promoção de hábitos de alimentação saudáveis. Em entrevista para o Correio Braziliense, a especialista afirma que falta a percepção do Estado de que a obesidade é uma questão de “má gestão econômica” e que requer a ação dos governos.  Em vez de aumentar o custo dos alimentos não saudáveis, outra possibilidade de ação é a promoção econômica dos produtos que fazem bem à saúde. Corinna defende uma mudança na “disponibilidade, na qualidade, na acessibilidade financeira e na aceitabilidade” de frutas e verduras, por exemplo.

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