A casa estava cheia para a exibição do documentário “Criança, a alma do negócio” em Porto Alegre. Cerca de 80 pessoas participaram do evento na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country, mesmo com a chuva que caía na capital gaúcha na última quarta-feira.

O debate que aconteceu depois da exibição do filme contou com a participação do professor convidado da UFRGS e conselheiro do Projeto Criança e Consumo, Pedrinho Guareschi, do Procurador Regional da República, Dr. Domingos Hirsch, e da Procuradora de Justiça do MP/RS, Dra. Maria Regina Azambuja.

Pedrinho Guareschi destacou a vulnerabilidade das crianças frente à publicidade e sua incapacidade de compreender completamente a mensagem comercial embutida nela até os 12 anos. Lembrou também o fato de que 94% dos meios de comunicação no Brasil são de propriedade privada e, portanto, são entidades comerciais, com interesses de venda.

Domingos Hirsch destacou que o fantasma da ditadura e da censura tem sido usado como álibi por quem é contrário à regulação da comunicação – e que isso não é diferente no caso da regulação da publicidade direcionada a crianças. “Mas é preciso entender que regular publicidade não é coisa que só nasce no Brasil, que nem jabuticaba…”, disse ele, fazendo referência a diversos países do mundo que já regulam a questão.

Sobre o tema da liberdade de expressão, aliás, Guareschi fez coro ao que foi dito pelo Procurador da República: “Censura é proibição da expressão do pensamento das pessoas. Mas publicidade não é pensamento nem divulgação, publicidade é venda.”

A fala de Maria Regina Azambuja começou pela ótima lembrança do aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completou 21 anos no dia do evento. Ela lembrou que o ECA, assim como a Constituição Federal, afirma que a proteção da criança é um dever compartilhado entre Estado, família e sociedade, mas que infelizmente isso ainda não acontece. “Se a publicidade avança como avança, é porque a sociedade ainda está se manifestando pouco sobre o tema. A criança tem sido explorada pela publicidade porque nós adultos estamos permitindo, porque estamos sendo omissos”, disse.

A procuradora também questionou o argumento de que a publicidade direcionada a crianças não precisa de regulação especial porque elas seriam capazes de compreender as mensagens comerciais. “Se a criança não fosse tão vulnerável, não seria tão explorada pela publicidade”.

Ao final as perguntas do público enriqueceram ainda mais o bate-papo, e mostraram o tema é de relevância cada vez maior.

Próximos eventos

A série de debates e exibições do documentário “Criança, a alma do negócio” continua. Veja os próximos eventos:

SALVADOR

27/julho, quarta-feira, às 19h30

Livraria Cultura – Salvador Shopping

Com Rodrigo Nejm (Safernet) e Laura Nogueira (PROCON-BA)

SÃO PAULO

25/agosto, quinta-feira, às 20h

Faculdade Belas Artes

Com Conceição Golobovante (Núcleo de Sustentabilidade da Belas Artes), Ronaldo Mathias (Coord. de Extensão da Belas Artes) e Clóvis de Barros Filho (ECA/USP)

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