“Publicidade não faz mal a ninguém”.

“Publicidade não cria necessidade”.

“Publicidade não vende consumo”.

“Publicidade é boa por que informa”.

Essas são as máximas que temos ouvido no último mês e nas quais muitas pessoas têm acreditado.
Recebi de a programação do maior evento anual dos criadores de publicidade voltada à criança - a Kids Power - e fiquei estarrecida. E o que é mais triste: pessoas pagarão um bom dinheiro para aprender a bombardear a cabeça das nossas crianças.

Um dos seminários será sobre a forma de atingir os consumidores da chamada nova classe média, as famílias e como alterar os orçamentos dessas famílias entendendo a dinâmica atual das tomadas de decisão. Ora, já sabemos que 80% das decisões de consumo em uma família são determinadas pela vontade dos filhos – uma dinâmica por si só cruel, pois por culpa da ausência os pais presenteiam.

E as crianças chantageiam.

Estudos recentes demonstram que apesar do aumento de renda, essa camada da população encontra-se endividada. (Estado de São Paulo – 8/02/2010). 34% endividam-se para cobrir os gastos anuais e 46% têm dificuldade de pagar as compras feitas a crédito. Não é à toa que o coordenador dessa pesquisa declarou: “Estamos preocupados com a sustentabilidade desse processo. Queremos saber até onde essa classe média tem condições de garantir o consumo”.

Será que estimular ainda mais o consumo através da influência infantil é posição ética?

Questionar a autoridade paterna, colocando filhos contra pais, questionando se realmente sabem o que se passa no nosso mundo, é moralmente aceitável?

E você, se fosse o profissional por trás dessa dinâmica, dormiria tranquilo?

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  1. Andrea Cavalcante
    Andrea Cavalcante em Domingo 29 Abril 2012 19:08
    Me parece que não só as crianças são vitimadas por essa publicidade. Os pais também os são, quando não tem nenhuma reação limitadora as demandas de consumo infantil dentro de suas proprias casas. Os pais de hoje ainda estão presos a falácia da compensação material pela ausência física e emocional.
  2. Equipe Criança e Consumo
    Equipe Criança e Consumo em Quinta-feira 03 Maio 2012 11:49
    Olá Andrea, obrigado por seu comentário. É por isso que acreditamos que a formação de uma sociedade menos consumista só se dará com esforço conjunto entre famílias, empresas e Estado, cada um exercendo seu papel na proteção da infância. Os pais devem dar limites e serem bons exemplos, as empresas devem repensar suas ações de marketing; e o Estado tem a obrigação de oferecer uma mínima regulamentação que proteja as crianças frente às relações de consumo, com as quais não estão preparadas para lidar. Abraços da equipe Criança e Consumo.

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