Cada vez mais vemos ações de marketing direcionadas ao público infantil. É uma forma de conquistar os pais por meio das crianças e também um caminho de fidelização desde cedo. A criança cresce com atitude positiva em relação à determinada marca devido ao percurso mercadológico desenvolvido que inclui a performance do produto tanto no ponto de venda (lojas, supermercados etc) quanto em suas inúmeras formas de divulgação (publicidade, product placement, eventos, teatro, cinema, escolas etc).

Questiona-se até que ponto a criança deve ser alvo desse tipo de mensagem. E avançando no debate, questiona-se o direcionamento de mensagens de produtos para adultos como produtos de limpeza (caso minus, pato gel, etc), automóveis (caso fiat, ford), produtos de higiene pessoal, entre outros. Sobre esse último, o caso do produto Lifebuoy é interessante para uma breve análise.
A marca Lifebuoy é especializada em higiene pessoal incluindo produtos como sabonetes e álcool em gel. Para promover sua marca, criou uma ação de marketing patrocinando o espetáculo musical do fenômeno midiático infantil Galinha Pintadinha. Uma música específica foi criada para fixar o hábito de lavar as mãos e, claro, consequentemente a marca. Além da música, o show conta com promotores e bonecos caracterizados como sabonete e uma grande bactéria. Há distribuição de almofadas da marca para que as crianças visualizem melhor a apresentação, e são entregues sabonetes, giz de cera, desenhos para colorir e bolinha de sabão com rótulos personalizados. É um circuito de diversão e brindes patrocinado para aumentar as vendas.

Conscientizar a população para uma melhor higiene e suas alternativas em relação às crianças e aos adultos parece ser algo positivo e relevante, no entanto, quando essa ação é calculadamente planejada por uma marca para atingir o público infantil e persuadir adultos a gastar mais com um sabonete que não cumpre necessariamente todos os objetivos que divulga, fica a dúvida sobre a responsabilidade de fato dessa marca e o quanto ela está realmente preocupada com a saúde de seu público-alvo.

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  1. Claudia Cruz
    Claudia Cruz em Sábado 28 Julho 2012 19:33
    Nem é preciso sair de casa para conhecer a influência da marca Lifebuoy no mundo infantil. Há algum tempo, meu filho me perguntou porque eu não comprava estava marca, já que "ele protege de 10 doenças diferentes, mãe!". Quando perguntei onde ele tinha ouvido falar sobre isso, a resposta foi rápida: na televisão.

    A princípio pode parecer perda de tempo o anúncio de marcas e produtos que não estão voltados ao mundo infantil. Mas o setor publicitário raramente mira onde não enxerga po$$ibilidade$ de venda.

    Desde a mais tenra infância nossos pequenos são adestrados ao consumo, e os discursos fragmentados que ouvem vão sendo internalizados e aprendidos.

    Todos são vistos como objetos de consumo, do bebê ao vovô. Para incentivar cada vez mais o consumo, cada vez menos utiliza-se a ética. Como se tratam de setores econômicos bilionários, e financiadores de muitas campanhas políticas, cabe-nos o insistente papel de militância nesta incessante contra-corrente.
  2. Arlete
    Arlete em Quarta-feira 01 Agosto 2012 16:47
    Presenciei um fato interessante na cafeteria: a mãe perguntando insistentemente à filha (1 ano e 5 meses)o que ela queria comer (no café da manhã). Será que a criança sabia responder? A ideia de que as crianças, desde muito cedo, têm poder de escolha e decisão já é um fato admitido pelos pais?

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