Mais do que simples anúncios. As empresas descobriram nas redes sociais uma fonte inesgotável de meios de influenciar crianças a ‘curtir’, comprar e até anunciar seus produtos. Esse foi um dos pontos mostrados em uma pesquisa realizada no Reino Unido que destacou a “comercialização e sexualização” da infância. Uma das recomendações propostas no estudo era “terminar o processo onde empresas pagam crianças para anunciar e promover produtos em escolas ou redes sociais”.

Segundo o The Daily Telegraph, mais de 300 mil crianças já foram recrutadas em pesquisas de marketing de grandes empresas, como Mattel, Nintendo e Coca-Cola. A Mattel, por exemplo, na campanha de marketing de um MP3 player da Barbie, pediu a 50 meninas, de idade entre 7 e 11 anos, para divulgar o produto. Para ganhá-lo, além de outros prêmios da marca, elas precisavam criar seus próprios sites de fã do MP3 da Barbie e conseguir que suas amigas se cadastrassem no Barbie.com. Em outros casos, empresas pedem que crianças façam e publiquem vídeos mostrando sua devoção à marca, como foi o caso da Pizza Hut, entre outros diversos casos.

O assunto repercutiu nos Estados Unidos e o Washington Post publicou, no dia 7 de junho, uma coluna abordando o assunto e questionando a necessidade de se regular a questão, assim como proposto no Reino Unido. A discussão traz a tona a questão: será que rede social é lugar de criança? Para o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, a resposta é sim.

A posição de Zuckerberg baseia-se na ideia de que, para que as pessoas saibam usar o Facebook e as demais redes sociais de maneira responsável e benéfica, é preciso educá-las para isso, o que, segundo ele, deve acontecer desde cedo. No entanto, ainda não se fez muito para proteger esse público, sabidamente hipervulnerável, de situações perigosas e até mesmo de abusos como os cometidos por empresas sedentas por divulgar seus produtos. Antes de se pensar no papel educativo das redes, é preciso conhecer e estabelcer regras claras em busca da defesa de direitos fundamentais no ambiente online. Abrir o acesso para crianças sem esse cuidado, é expor o público infantil a riscos, cujas dimensões nem conhecemos.

 

 

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