A 65ª Assembleia Mundial da Saúde (WHA), principal evento de estabelecimento de decisões e metas da Organização Mundial da Saúde, começou nessa semana em Genebra e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) são novamente foco de discussão. No seu discurso de abertura a diretora da OMS, Margaret Chan, já citou alguns dados arrasadores levantados pela Organização: as taxas de obesidade quase dobraram em todas as regiões do mundo de 1980 até 2008.  Um em cada três adultos tem pressão alta e um em cada dez adultos tem diabetes.  As DCNTs têm como fatores contribuintes para suas causas o tabaco, o álcool, a má-alimentação e o sedentarismo.

Em um evento paralelo à WHA, representantes de grupos internacionais da sociedade civil se reúnem para debater o combate às DCNTs. Como resultado do evento, o grupo vai apresentar à OMS um pedido para que sejam ampliadas as metas de combate a essas doenças, que se acredita que devem ser insuficientes na WHA. Órgãos internacionais, como a NCD Alliance e a American Cancer Society criticam a redução de dez para cinco no número de metas propostas pela OMS para o combate às DCNTs.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Paula Johns, diretora da Aliança de Controle de Tabagismo no Brasil que participa do evento paralelo em Genebra, ressaltou a influência da indústria de alimentos nas discussões sobre as DCNTs e criticou a ausência da previsão de restrições à publicidade de alimentos não saudáveis no último documento publicado pela OMS sobre o assunto – embora a diretora da Organização já tenha comentado sobre os impactos negativos desse tipo de publicidade, em especial dirigida a crianças. Para Johns, a experiência da proibição da publicidade de cigarro e o aumento de impostos sobre o produto podem ser utilizados como exemplos para legislações que tratem dos alimentos não saudáveis.

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