Estamos a poucos dias da 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que começa dia 7 e discutirá as diretrizes para a elaboração de uma nova política pública nessa área. Momento oportuno para refletir sobre a forma com que a indústria de alimentos tem anunciado seus produtos para o consumidor.

Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem com os resultados de uma pesquisa do Idec e do Ibfan Brasil (International Baby Food Action Network) sobre o impacto do marketing na diminuição do aleitamento materno. A publicidade de alimentos como leite, fórmulas e papinhas já é regulada pela legislação brasileira, mesmo assim a nova pesquisa apontou 95 irregularidades na comunicação mercadológica de produtos de 76 empresas.

Essa notícia faz lembrar outros casos, igualmente preocupantes. A tática de omitir ou minimizar informações nutricionais confunde adultos. Imagine então quando o alvo é a criança...

Interessados em vender cada vez mais, os fabricantes investem pesado em marketing. Tudo certo até aí, já que o foco da empresa é vender e lucrar, desde que se se faça com responsabilidade e que se respeite algumas coisas. Nesse caso, o alerta do Idec e do Ibfan Brasil é de que a indústria muitas vezes ignora o fato de que é preciso priorizar a amamentação. Só se deve recorrer aos suplementos com orientação médica.

A duas ONGs notificaram, por exemplo, a Mead Johnson Nutrition, fabricante do Sustagen Kids, que só deve ser consumido por crianças maiores de quatro anos. No entanto, a embalagem do produto não tem essa informação em destaque, além de dizer que a partir dos dois anos é comum a criança começar a rejeitar alimentos saudáveis.

O Projeto Criança e Consumo também já questionou o marketing do Sustagen Kids. Em 2009, a Mead Johnson foi notificada por causa de uma ação dentro de uma escola, com uma apresentação teatral para alunos da educação infantil e distribuição um 'brinde' contendo um jogo da memória e uma amostra do produto 'Sustagen Kids'. Dois anos depois, em junho de 2001, um novo questionamento: desta vez o Criança e Consumo encaminhou uma denúncia para o Procon contra a campanha da marca, que tinha filmes publicitários e um site. Tudo supostamente voltado para os pais, mas com apelos claramente infantis. E não parou por aí: a campanha ainda tinha uma promoção em que, na compra de uma lata do suplemento, o consumidor ganhava um pote estampado com os personagens do Backyardigans (desenho animado que é sucesso entre as crianças pequenas).

Estes são apenas alguns exemplos da conduta da indústria de alimentos com as crianças. Para as corporações, a prioridade parece ser sempre o sucesso de vendas, deixando de lado questões essenciais, como a saúde.

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  1. eloisa
    eloisa em Sexta-feira 28 Outubro 2011 16:07

    O mercado todo só se instala com sucesso pq não temos a política dos valores sociais locais. Perdemos de nos alimentar com comidas típicas para comer alimentos "insustentáveis". O habito de comer comida industrializada ganha força e mercado no preconceito de que o ato de preparar a própria comida é um trabalho menor. Na minha casa sempre foi visto como um momento de prece. Somos 4 pessoas que preparam suas comidas como ritual de boa saúde.

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