O que elas querem? Do que gostam? Como apresentar novos repertórios? Essas são algumas das preocupações com relação ao que nossas crianças consomem. No mês em que se comemora o Dia dos Pais, o Projeto Criança e Consumo promove um evento para discutir o papel dos homens no combate ao consumismo infantil. Com exibição do documentário “Criança, a alma do negócio”, da diretora Estela Renner, o debate será realizado no dia 29 de agosto, a partir das 19h30, na Livraria da Vila (loja da Fradique Coutinho).

Os três pais convidados para esse encontro são Zico Góes, diretor de programação da MTV, Ilan Brenman, escritor de livros infantis e contador de histórias, e Marcos Nisti, produtor do documentário e vice-presidente do Instituto Alana.

Histórias de pai

“Recentemente vi um filme que fazia a seguinte pergunta: o que você levaria se estivesse pegando fogo na sua casa e você tivesse apenas 60 segundos para pegar algo? Fiquei refletindo sobre o que eu levaria e me peguei pensando sobre o que será que as crianças levariam. Se seria o videogame, a boneca, o computador... E resolvi colocar as perguntas para as minhas filhas e sobrinha, cuidando para que cada uma respondesse sem saber da resposta da outra. Para minha surpresa, as três responderam que levariam álbuns de fotos, ou seja, uma memória. Ou então que levariam o pai ou a mãe, se eles estivessem em casa. Isso me causou um espanto e me fez aumentar essa pesquisa, perguntando para diversas crianças, de diferentes ambientes, o que elas levariam. E 95% levariam uma memória, ou o pai, a mãe, os irmãos. Apenas 5% levaria um objeto de consumo! É engraçado como as crianças sempre te surpreendem...”
Ilan Brenman, autor e contador de histórias e pai de duas meninas.

“É importante os pais cuidarem também do conteúdo que as crianças consomem, em diferentes mídias. Vou contar uma história que não é minha, mas que outro pai contou para mim: o filho pediu ao pai o CD do Luan Santana, algo muito distante do que este pai considera um bom conteúdo musical, mas que, assim como brinquedos ou bolachas, está sendo divulgado o tempo inteiro para o público infantil. O pai, colocado nesta situação, vai à loja e traz um disco do Tim Maia, falando que não tinha mais o CD do Luan Santana, tinha acabado tudo, e que o Tim Maia também era legal. (risos) Acho que é importante os pais cuidarem do conteúdo que as crianças consomem, ampliando o repertório. Tudo sobre o que os pais falam, influenciam os filhos, e isso conta muito! Eu sempre expliquei para os meus filhos que qualquer que seja o artista, Luan Santana ou Xuxa, não é só porque vem rotulado para criança que é bom para criança. Faz parte do papel do pai direcionar o conteúdo que os filhos consomem, dividir seus gostos. As crianças estão muito ligadas nisso.”
Zico Góes, diretor de programação da MTV e pai de duas meninas.

“Lembro que quando a minha filha do meio tinha por volta de 3 ou 4 anos, ela passou a insistir para que eu comprasse um alimento, que não lembro se era bolacha ou um daqueles bolinhos industrializados, que tinha o Shrek na embalagem. Naquela época eu  estava começando a me engajar na discussão do impacto negativo do marketing infantil.  Minha saída foi explicar a ela que alimento que tinha um personagem famoso ou um bichinho qualquer na embalagem deveria ser ruim. Que comida boa e gostosa não precisava desse tipo de ajuda para ser comprada. Era boa e pronto. E hoje, para ela, bichinho em embalagem de alimento é sinônimo de comida ruim, ou seja, para ela é contra-propaganda (risos)”
Marcos Nisti, produtor do documentário “Criança, a alma do negócio” e pai de três meninas.


Serviço:
Debate sobre o papel dos pais na educação para o consumo
29 de agosto, segunda-feira
A partir das 19h30
Na Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, nº  915
Evento gratuito – Não há inscrições

Compartilhe :   

Comentários encerrados.